Aproveite o tempo para estudar melhor

Para destacar a necessidade que temos de aproveitar o tempo, Rubem Alves escreveu o seguinte toque: "‘Carpe Diem’ quer dizer ‘colha o dia’. Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre". No contexto da educação escolar ou acadêmica, saber “colher o dia” pode ser expresso pela dosagem consciente de cronologia e conteúdo, harmonizando-os. Assim, saber distribuir os períodos de estudo no correr dos dias da semana é determinante ao bom andamento do ato de aprender. E a saída para isso é administrar o relógio. Matar o tempo é sepultar oportunidades. Nem é bom pensar!

Mapear prioridades

Atualmente, tudo parece começar, se desenvolver e terminar muito rapidamente. Recursos como internet e celular são exemplos de tecnologias que contribuem para encurtar o tempo de todo mundo. Para o estudante, isso pode significar o risco de correr sem saber aonde ir. Aí entra o equilíbrio. Se é inadmissível ao aprendiz entrar em uma correria sem sentido, é igualmente inaceitável cair na ociosidade improdutiva.

Por isso, o bom senso manda estabelecer prioridades e dividir o que tem a fazer a título de tarefas urgentes: de prazos definidos; tarefas importantes: de prazos flexíveis; tarefas não-urgentes, mas importantes: a fazer a todo o tempo; e tarefas nem urgentes nem importantes: a serem feitas na sobra de tempo. Identificar o peso de cada uma delas no projeto pessoal de estudos é uma providência elementar.

Em última análise, cada um sabe das próprias urgências e importâncias e deve articulá-las do melhor modo possível. O que esse mapa sugere é um modo de evitar a desorientação, como quando se aproxima o período de avaliações ou exames. Em tais ocasiões, certos estudantes passam noites em claro atualizando os conteúdos para terem um dia seguinte (o fatídico day after) catastrófico, abatidos pela indisposição.

Exemplo de como não usar o tempo

Um exemplo de como não lidar com o tempo apareceu na Folha de S. Paulo, do dia 26 de novembro de 2005, em uma matéria sobre alguns estudantes para os quais a semana havia sido “de pesadelos” e “noites mal dormidas por causa do vestibular que se aproximava”.

Na matéria, um estudante conta que acordava “de hora em hora”, porque “‘Até o estrado da cama incomodava.’ Como não conseguiu dormir normalmente, chegou ao local do exame tremendo. ‘Meus colegas até perguntavam se [eu] estava bem.’ A noite que o castigou continuou fazendo estragos durante o exame. Cansado, a concentração não vinha e os erros ‘bobos’ tornaram-se freqüentes. ‘Não ter dormido bem certamente afetou meu rendimento na prova. Errei muitos detalhes, coisas que eu sabia resolver’”, disse o vestibulando, o qual assegurou que tudo aquilo lhe aconteceu porque ele se sentia mal preparado para os exames.

Então, o costumeiro alerta: na hora de dormir, dormir; na hora de trabalhar, trabalhar, na hora de estudar, estudar; na hora de se divertir, divertir. Essa dica pode contribuir para que o estudante se sinta preparado, calmo, seguro e confiante em todas as avaliações a que se submete seguidamente. E tenha êxito.

O relógio não deve ser senhor de ninguém

Que a má administração do tempo causa estrago, ah! isso causa sim, e muito. Importante, então, é o estudante se colocar, não na posição de quem se curva ao relógio, mas na de quem faz dele um instrumento auxiliar, distribuindo inteligentemente os horários de estudo ao longo do dia, da semana, do mês, do ano. O bom é ter uma cota de atividades diárias para não interromper o processo de aprender. Essa atitude ajuda quem se vê premido entre o “aspirar” e o “planejar”, entre o “plano” e a “execução”, entre o “saber” e o “fazer”. Além disso, essas providências ajudam a superar o espontaneísmo.

Manter os estudos em dia

Manter os estudos em dia concorre para que o estudante adquira confiança e use racionalmente o tempo. Nesse sentido, é interessante para o estudante: 

- acordar em horário hábil pela manhã para executar os cuidados pessoais com tranqüilidade, pois minutinhos a mais na cama podem causar atrasos e prejuízos; 

- conciliar os compromissos de modo a evitar choque de horários; 

- dedicar maior quantidade de tempo às disciplinas mais difíceis, deslanchar naturalmente nas fáceis e deixar a “ralação” para tidas como “ossos duros de roer”;

- descansar porque o excesso de atividades acaba por trazer estresse, prejudicar a concentração e o rendimento nos estudos;

- marcar os compromissos estudantis e chegar na hora estipulada, mas se for preciso esperar, fazêlo tranquilamente;

- não abrir mão de ter horários fixos de estudo para todos os dias da semana, porque é “de grão em grão a galinha enche o papo”;

- prever pelo menos vinte por cento a mais de tempo para concluir as atividades estudantis, fugindo de atropelos indesejáveis;

- saber que “a pressa é inimiga da perfeição” e que “o apressado é quem não previu a tempo as coisas de que necessita”, e agir segundo esse entendimento;

- tentar aprender com dedicação redobrada para não cair em desalento, pois neste mundo os ganhos vão para “quem espera agindo e age esperando”.

 

Wilson Correia desenvolve pesquisa de doutoramento na UNICAMP. É mestre em Educação pela UFU. Cursou especialização em Psicopedagogia pela UFG. Graduou-se em Filosofia pela UCG. É professor universitário e autor de Saber Ensinar. São Paulo: EPU, 2006. Para entrar em contato com o autor, mande um e-mail para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .